A vida, às vezes, nos prega peças. Quando a temperatura baixa, como aconteceu nos últimos dias, fico a pensar nas pessoas que vejo todos os dias, quando saio de casa, pela rua. O meu frio é tão intenso que, não consigo conceber que alguém possa adormecer ao relento numa dessa noites frias, pela qual temos passado. Na hora do banho, agradeço muito pela água quente, pelo pijama, pelas meias. Penso que não serei eu que vou conseguir livrar todos os moradores de rua desse mal que assola a nossa sociedade e que nos propõe uma reflexão, sobre o que temos e sobre o que podemos nos desapegar, em favor desses.
Não creio nessas campanhas, feitas pelas “primeiras damas” seja lá de que graú fôr. Prefiro procurar alguém que está pelas ruas, (e aqui onde moro, no meu caminho, existem dois há muito tempo) e proporcionar a eles um pouco de aquecimento. Sei que pode parecer demagogia, pode parecer oportunismo, porque todos os anos isso acontece, mas eu acho que se pudermos melhorar, nem que seja só por algumas noites a vida dessas pessoas, que jamais saberemos porque estão nessa escolha, ou nessa imposição pela sociedade consumista, devemos fazê-lo. Passar frio, para mim, é algo muito aterrorizante, dói nos ossos, me deixa deprimida, sem coragem, mesmo eu não estando na situação dessas pessoas. Não posso me imaginar nisso e creio que não teria a resistência que eles tem, porque a vida os preparou para isso. Quando reflito sobre isso, vejo que a moeda não tem apenas dois lados. Não é necessário que nos tornemos benfeitores de toda a humanidade, mas creio que refletir sobre os lados opostos ao que vivemos deve nos trazer algum benefício, para que possamos avaliar o que cada sêr, nesta vida enfrenta. Aprendizado que será levado a outras esferas, quando voltarmos…











